quinta-feira, dezembro 22, 2005

Parvoíces de Natal

O Natal é bom, mas também tem várias coisas más.
A pior delas todas foi, sem dúvida, a ideia de pôr Pais Natal a escalar às janelas, varandas e afins. A moda pegou há pouco tempo – dois ou três anos – mas já ganhou bastante força. Há por aí prédios quem têm, pelo menos, um Pai Natal trepador em cada andar, quando não mesmo um em cada janela. Além de não ser esteticamente bonito, é uma das coisas mais parvas de sempre, não só do Natal. É que não só é esteticamente feio como é uma ideia tonta, descabida e sem nexo. Toda a gente sabe que o Pai Natal entra pela chaminé, mesmo dos prédios. E o pobre senhor já não tem idade nem frescura para essas aventuras, até porque com o saco dos presentes às costas não dá jeito nenhum. E o pior é que esta moda pode confundir as crianças, coitadinhas, que pensam que ele vem pela chaminé, e de repente vêm-no nas paredes das casas. Pode ser o fim de um mito. E não queremos que isso aconteça. Portanto vamos esperar que seja mesmo uma moda, e como tal, desapareça tão rapidamente como apareceu.

Também as músicas de Natal figuram entre as coisas mais parvas desta época tão bonita. As músicas de Natal são extremamente irritantes. São sempre as mesmas, desde há 50 anos. E mesmo com constantes actualizações e inovações – chill-out Christmas, Christmas Beatles, Jazz Christmas, Coro de Sto. Amaro de Oeiras canta o Natal, etc. – há sempre um elemento que as torna a todas insuportáveis: os sininhos ou guizos das renas. Aparecem sempre como barulho de fundo e transformam as músicas de Natal em algo ainda mais pateta. Porque o nosso ouvido fica quase sempre preso aos sininhos, incomodativos, e dali já não passa. Mesmo quando a música acaba, o som dos sinos fica em repeat na nossa cabeça. É maçador.

Outra coisa má do Natal é a cassete da delicadeza que temos de meter quando recebemos presentes de que não gostamos ou que não servem para nada: “É giríssimo, gosto imenso”; “ Estava mesmo a precisar”; “Dá-me imenso jeito”; “Era mesmo isto que eu queria, mas não encontrei”… É uma pena, mas acontece quase todos os Natais. E não parece haver solução à vista. Portanto, mais vale ter a cassete actualizada.

Uma cassete actualizada evita muitas chatices – Calypso 25:12